19 de fevereiro de 2012

Resenha do livro Um Mundo Brilhante




Um Mundo Brilhante é mais um dos maravilhosos lançamentos da Editora Novo Conceito. A escritora Tammy Greenwood descreve a história de um jovem professor de História, Ben Bailey, que vive em sua casa, no Arizona, junto com sua noiva, Sara. 


A vida de ambos é típica de um casal normal, Ben dá aulas na faculdade e complementa sua renda trabalhando também em um bar. O trabalho no Jack's é menos entediante que na faculdade, mas a partir daí já percebe-se que a vida de Ben é um pouco incompatível com suas verdadeiras vocações.


Além de ser PhD em História e trabalhar como barman, seu relacionamento com Sara é mais movido por comodismo que por amor. Isso só começa a dar uma reviravolta quando Ben encontra na calçada de sua casa, um rapaz navajo, brutalmente machucado e aparentemente morto. Sara e Ben ficam abalados com a situação do pobre rapaz, mas Ben resolve ir mais além e após o jovem ter sido levado ao hospital, ele decide visitá-lo. Então Ben acaba conhecendo a irmã do jovem índio, Shadi. E sua vida começa a ganhar mais sentido, ele desperta para um sentimento que há muito havia deixado de sentir por Sara. Mas as coisas não se resolvem de uma forma simples. Ao ter certeza de seus sentimentos por Shadi, abandonar Sara não é tão fácil assim, pois várias coisas começam a acontecer, ele vai ficando cada vez mais aprisionado em sua relação com Sara.


É um romance maravilhoso de ler. Os dramas vividos por Ben, apesar de parecerem ser bem comuns, ganham uma certa emoção, pois ao longo da trama ele começa a se enroscar em suas próprias mentiras, e podemos perceber as consequências de ações mal resolvidas em seu relacionamento com Sara.


O drama psicológico de Ben também é bem interessante. Sua pequena irmã, Dusty, morrera atropelada quando ele tinha 11 anos e voltava com ela da escola. Para ele foi difícil entender como a irmã simplesmente desaparecera naquele dia. Após o acidente a vida com seus pais não foi mais a mesma, a mãe acabara adoecendo e seu pai, um dia, simplesmente acabou partindo.


Ben e Shadi acabaram compartilhando a mesma dor. Talvez isso tenha unido os dois mais intensamente. Sara não seria capaz de compreendê-lo, pois ela tinha uma vida perfeita, sempre conseguiu tudo o que quis. E Ben sentia na pele o que era ser abandonado por alguém, mas em nome do amor, até que ponto seríamos capazes de arriscar?


Um Mundo Brilhante é um romance envolvente e que nos faz refletir sobre os sentimentos que predominam e influenciam significativamente em nossas decisões.

10 de fevereiro de 2012

Entrevista com o escritor Roque Neto

Olá queridos leitores!

Estou estreando aqui um espaço mais interativo entre escritores e leitores. Um espaço onde vamos poder conhecer um pouquinho melhor nossos queridos escritores nacionais e suas respectivas obras.
E é com muito prazer que inicio essa nova fase do blog com o escritor do livro PORQUE EU AMEI, Roque Neto.
Ele foi super gentil na entrevista e em conceder um pouco do seu tempo para nós.


Apreciando a Leitura: PORQUE EU AMEI é um livro que aborda temas polêmicos. Gostaria de saber qual foi o seu objetivo ao se dedicar a escrever toda essa história e se agora, depois do livro publicado, esse objetivo está sendo alcançado?

Roque Neto: O meu primeiro objetivo foi fazer com que meus leitores parassem para refletir sobre o sofrimento dos homossexuais. Tantos atos de violência física e psicológica são praticados diariamente contra estas pessoas e, muitos de nós simplesmente ignoramos isto, como se o problema não nos dissesse respeito. Por exemplo, apenas em janeiro deste ano, 36 homossexuais foram assassinados com requintes de crueldade no Brasil. Como um humanista e educador, não posso ignorar este fato.
Creio que o livro tem alcançado o objetivo de abrir espaço para diálogo sobre o assunto, especialmente no que diz respeito à homofobia que acontece dentro de casa, no processo de educação dos filhos.


Apreciando a Leitura: E pelo fato de ter criado um personagem que além de ser homossexual, é padre, você pretendia também levantar questionamentos sobre o celibato entre os líderes religiosos católicos, ou foi algo que surgiu naturalmente?

Roque Neto: Meu objetivo não era questionar o celibato, pois acredito que o celibato tem sentido quando é fruto de uma escolha madura e oblativa. A minha intenção era mostrar as diversas facetas da religião. Se pensarmos bem, em alguns momentos históricos as igrejas cristãs se tornaram líderes na defesa das vítimas de violência e preconceito. Em outras circunstâncias, as diversas denominações religiosas cristãs reforçam tais situações, especialmente no que diz respeito à homofobia. Basta ver quem são os grandes opositores a aprovação da criminalização da homofobia no Congresso Nacional.


Apreciando a Leitura: Em algum momento você pensou em desistir de escrever ou publicar esse livro com receio da reação do público?

Roque Neto: Em momento algum pensei em desistir... Claro, venho de uma família católica e conversei com vários membros de minha família enquanto escrevia o livro. Ninguém se opôs. Este apoio foi essencial.
Em relação ao público mais amplo, minha expectativa sempre foi de que PORQUE EU AMEI seria bem recebido. O tema é instigante e o desenrolar da história prende a atenção do leitor.


Apreciando a Leitura: Durante a maior parte da trama o Padre José Lucas viveu escondendo sua verdadeira identidade praticamente de todas as pessoas com as quais convivia. Você acha que o medo de ser vítima de homofobia ainda faz com que as pessoas omitam sua opção sexual? E é possível viver toda uma vida com uma máscara?

Roque Neto: A mesma máscara que protege do medo da rejeição pela família ou da violência nas ruas também fere. A pessoa que precisa o tempo todo se policiar, se cuidar para não demonstrar em momento algum o que ela sente e pensa sofre um nível de tensão, de stress altíssimo, que acaba danificando a saúde dela. Sabemos que a presença de cortisol (hormônio do stress) está relacionado à insônia e pior do que isto, à problemas graves no sistema imunológico, por exemplo. Enfim, uma decisão motivada por questões familiares, culturais ou religiosas tem impacto direto na saúde fisiológica e no bem-estar da pessoa.


Apreciando a Leitura: Li uma entrevista sua em que você falou da reação positiva do público em relação ao livro, que recebeu muitos e-mails de agradecimento, mas houve alguma reação negativa por parte dos leitores?

Roque Neto: Até agora não tomei conhecimento de reações negativas. Contudo, alguns leitores se dizem surpresos com o modo como a história termina, o que tem mais a ver com a técnica em si do que em relação ao conteúdo do livro. Neste sentido penso que finais surpreendentes são uma marca dos dois livros ficcionais que escrevi até o momento.


Apreciando a Leitura: Realmente a história termina de um modo que podemos imaginar o que poderá acontecer, mas também podemos ser surpreendidos... Então há um projeto para o segundo volume da obra?

Roque Neto: A princípio não tinha a intenção de lançar um segundo volume. Contudo, as questões que ficaram abertas nos últimos capítulos do livro parecem clamar por respostas. O roteiro para o segundo volume já está pronto, mas ainda não tive tempo para escrever. A saga da família Lucas vai continuar de modo surpreendente...


O livro PORQUE EU AMEI está à venda no site da Editora Dracaena:

E para conhecer um pouco mais o escritor Roque Neto, acesse o seu site:

6 de fevereiro de 2012

Resenha do livro Porque eu amei - Roque Neto


Quando eu vi a capa do livro “Porque eu amei” pela primeira vez, pensei: Ih, vem polêmica por aí. Quando li a sinopse, tive certeza; mas quando li o livro... Fiquei chocada! Sério, eu estava pronta para uma leitura mais suave, mais romântica, mais melosa... No entanto, o livro é pra lá de realista! Apesar de o Padre José Lucas ser um personagem fictício, o autor não nos poupou da realidade nua e crua que acontece, em alguns casos, dentro da comunidade católica.
O que Roque Neto nos mostra no livro em questões de homossexualismo, quebra do celibato sacerdotal, não é novidade. Mas o que torna a leitura do livro em algo chocante é acompanhar minuciosamente os dois lados da vida de José Lucas: O homem respeitado,  amado, e de batina. E o homem que sai de jeans e camiseta para um encontro amoroso com outro homem.
O Padre José Lucas conheceu o irlandês Thomas através da internet, em um site de relacionamentos. Eles marcaram um encontro e a partir de então passaram a se ver regularmente. O relacionamento dos dois é meio conflituoso, apesar deles se darem bem logo de imediato e viverem uma grande paixão, os encontros se resumiam a algo mais físico. Não havia um diálogo mais aberto e um pouco sabia da vida do outro. Lucas manteve sua máscara constantemente, sem revelar ao parceiro sua verdadeira identidade.
Isso era algo que me deixava frustrada enquanto lia o livro. Havia muita omissão no relacionamento dele com as pessoas. Nem sua mãe, nem o irmão, nem o bispo que vivia com ele, Dom  Castelletti, sabiam de sua verdadeira identidade.
Depois comecei a me questionar sobre quão desvelados somos com as pessoas que nos cercam... Todos temos nossos segredos. Mas se tratando de omissões tão graves assim, resta saber até quando podemos as suportar. E Padre Lucas era assim, alguém que por pensar nas consequências, vivia em seu mundo omisso, mas ciente que sua vida era uma representação.
O desfecho da história foi muito interessante, trouxe muita relexão. É um livro cuja história é propícia a um bom debate, não apenas sobre homossexualismo, celibato sacerdotal, que foram os principais temas da obra, mas podemos por em questão alguns valores adotados pela sociedade, pela família, a importância do diálogo para que a família não exerça um controle autoritário e manipulador sobre os filhos.
O autor foi, sem dúvida, muito corajoso em tratar de um tema tão polêmico e ao mesmo tempo o fez de forma concisa e esclarecedora, nos proporcionando momentos para uma análise da realidade que nos cerca.

Conheça mais sobre a obra em: