Resenha do livro Todos os nossos ontens

30 de janeiro de 2016



"Dê o poder ao homem, e descobrirá quem ele realmente é." (Maquiavel)

Essa frase transmite bem o que ocorre no decorrer dessa história. Todos os Nossos Ontens é um livro cheio de surpresas. Algumas não muito boas. O leitor é envolvido na vida de três jovens amigos, sendo que dois deles têm uma missão muito difícil a cumprir.

Em é uma jovem prisioneira. Ela é maltratada e torturada por esconder documentos importantes que o Governo quer. Finn está em uma cela ao lado dela, eles não se veem há muito tempo, apenas conversam quando podem e ambos sofrem quando escutam os gritos um do outro quando são torturados. 

Em sua cela, Em descobre um papel escondido por ela mesma um tempo atrás, onde está uma instrução bastante clara e cruel. Mas ela precisa fazer isso para salvar a humanidade. 

Com a ajuda de um guarda Em e Finn conseguem escapar da prisão. Através da máquina do tempo eles voltam ao passado onde devem cumprir com a ordem que estava escrita no papel. Em e Finn já fizeram isso 14 vezes. Já voltaram ao passado 14 vezes para impedir que essa máquina do tempo fosse construída. Em todas essas vezes eles falharam, mas agora esta é a última chance. 

Ao se depararem com suas versões mais jovens, Em e Finn se tornam vulneráveis, mas eles sabem o que os aguardam se não forem adiante com o plano.

Ao reencontrar James em sua versão mais jovem, Em não tem certeza se o esqueceu completamente. A jovem garota que ela foi um dia era completamente apaixonada por James, vivia em função dele e era capaz de fazer qualquer coisa por ele, o que a jovem garota não imaginava, é que as coisas poderiam mudar tanto...

Todos os Nossos Ontens é um livro maravilhoso. Sei que fiz muito mistério até agora, não fui muito clara ao relatar a história, mas é porque se trata daqueles livros que você não pode falar muito para não estragar a surpresa. Garanto a você que é um livro que vale a pena ser lido. Dá para refletir bastante com a história.


Livros no mesmo estilo que você poderá gostar:

Resenha do livro Esperando por Doggo

23 de janeiro de 2016


Sabe aquela história leve, que não traz nenhum grande conflito, nenhuma grande surpresa... mas que é gostosa de ler? Então, Esperando por Doggo é um livro para uma leitura rápida, um passatempo para relaxar um pouco a mente. Há até uma dose de humor.

Fiquei relutante quanto à leitura deste livro porque não gosto de livros nem filmes que envolvem cachorros. Amo cachorros. Mas sabe aquelas cenas do cachorro quase morrendo... Ou pior, quando eles morrem mesmo no final da história? Eu fico triste por uns três dias, no mínimo. 

Se você for assim também, não se preocupe, pode ler Esperando por Doggo sem medo. O autor Mark B. Mills enfatiza neste livro o humor e o carisma por um cachorrinho feio que aos poucos vai conquistando todo mundo.

Daniel foi abandonado pela sua namorada, Clara, que simplesmente foi embora do apartamento onde eles moravam sem muitas explicações, deixando apenas uma carta. E deixando Doggo também, o cachorro que ela havia adotado em um abrigo. 

Daniel até tentou devolvê-lo ao abrigo, no entanto, eles foram se aproximando um do outro e descobrindo algumas afinidades. Doggo não permitia nem que Dan o pegasse no colo, mas aos poucos as coisas foram mudando e Doggo se transformou até no mascote da empresa em que Dan trabalhava.

Outra personagem que se destaca na história é Edie, colega de trabalho de Dan que também se identifica com Doggo e ajuda Dan a descobrir a história do cachorro, quem eram seus antigos donos e por que ele foi parar num abrigo.

Esperando por Doggo é uma história de superação. Dan se recupera por ter sido abandonado por Clara, Edie tenta provar seu talento no trabalho e ela também tem um relacionamento amoroso não muito conveniente e Doggo também precisa superar seu passado. Juntos, eles formam uma equipe e tanto. E o livro mostra que aproveitando novas oportunidades é possível superar tudo.


Outro livro que indico que tem um cachorro-amigo-parceiro-inseparável do personagem principal é:
Um Homem de Sorte - Nicholas Sparks.

Resenha do livro Fragmentados

7 de janeiro de 2016


Imagine algo muito horrível acontecendo com seu corpo... Imagine seu corpo inteiro sendo despedaçado... Imagine esses pedaços do seu corpo sendo transplantados em outras pessoas. É isso o que significa ser fragmentado.

A Lei da Vida surgiu após a Segunda Guerra Civil, também conhecida como a Guerra de Heartland. A Lei da Vida consiste numa lei onde toda criança tem direito a vida, mas partir do momento em que completa 13 anos, esses jovens estão sujeitos à fragmentação.

Os pais que têm jovens dos 13 aos 18 anos podem decidir se vão mandar seus filhos ou não para fragmentação. Geralmente os jovens que são fragmentados são aqueles que causam problemas, são rebeldes, são a vergonha da família. Na verdade, como a sociedade está corrompida, há vários motivos para um jovem ser enviado à fragmentação, redução de custos, entre outras coisas, basta o jovem aparentar ser uma ameaça ou causar algum tipo de problema.

Existem também os jovens que são os “dízimos”. Desde que nascem, aliás, desde a concepção os pais já decidiram que na idade certa eles serão fragmentados. Esses jovens são preparados pelos próprios pais e por seus líderes religiosos a se oferecerem em sacrifício. Louco, não?

Connor é um jovem que se mete em confusões e não vai muito bem nos estudos. E então já viu, né? Seus pais decidem que ele deve ser fragmentado. Mas como um garoto esperto Connor dá um jeito de adiar isso por um tempo fugindo de casa antes que a polícia chegue para o levar. Na fuga, ele acaba conhecendo Risa, uma garota que também está fugindo para não ser fragmentada, e Lev, que é um dízimo.

Escapar da polícia e se esconder da sociedade não é nem um pouco fácil, mas esses jovens acabam encontrando algumas pessoas que os ajudam. Mas assim como sempre existe alguém para ajudar, há alguém para atrapalhar, então os jovens também se metem com pessoas erradas que os colocam em perigo e são sempre uma ameaça.

As experiências vividas por cada um deles os transformam em pessoas mais fortes, cada um vai aprendendo a sobrepujar suas fraquezas e encontram a esperança de acabar com esse sistema que, sem piedade alguma, usa esses jovens de forma tão desumana.

Primeiro livro de Neal Shusterman que leio, Fragmentados prendeu minha atenção do início ao fim. Vale a pena conhecer.

Livros no mesmo gênero que indico:


Starters e sua continuação Enders.

Resenha do livro O Bangalô

6 de janeiro de 2016


Este é um livro que vai ficar na minha memória por muito tempo. Simplesmente porque a história é tão linda que será difícil esquecer. É o primeiro livro da Sarah Jio que lei. Espero que os demais me causem esse mesmo efeito.

Anne foi uma jovem que serviu como enfermeira durante a Segunda Guerra Mundial em uma ilha chamada Bora Bora. Ela decidiu adiar seu casamento com Gerard, pois não tinha certeza se seu amor por ele era o suficiente para querer passar o resto de sua vida ao seu lado, e acompanhar sua melhor amiga, Kitty, nessa viagem que mudaria as suas vidas.

Kitty era uma jovem irreverente, ela flertava com os soldados descaradamente, enquanto Anne se concentrava em seu trabalho e em ter as respostas que buscava sobre seus sentimentos por Gerard.
Tudo começou a mudar quando Anne conheceu Westry, um soldado dedicado e de caráter admirável. Não demorou muito para eles estarem apaixonados e passando momentos de amor em um lugar secreto que eles descobriram na ilha: um bangalô.

Claro que, diante de uma guerra, nem tudo poderiam ser flores. Westry se ausentava durante algumas missões e Anne sofria sempre que algum avião retornava com soldados feridos na esperança de não ser Westry.

Durante esse período as coisas foram mudando a amizade entre ela e Kitty. Sua amiga não era mais a mesma, se tornara distante e incomodada com a presença de Kitty ao seu lado.

Diante de alguns contratempos, Anne começou a duvidar da sinceridade do amor de Westry por ela, então quando ele retornou para casa e ele foi enviado em outra missão para a França, a distância, de fato, os separou.

Seguindo o conselho de sua mãe, que se casasse com um homem que ela tivesse certeza que a amasse, Anne se casa com Gerard. Mas depois de muitos anos, Anne recebe uma carta de uma pessoa que vive na ilha.

A neta de Anne, Jennifer, a entrega essa carta e também uma fotografia antiga de Westry, e pede que sua avó lhe conte a história dos dois.

A carta, a fotografia de Westry e a história de amor sofrida faz com que Jennifer incentive sua avó a voltar à ilha em busca de respostas. Elas fazem essa viagem e Anne descobre que mentiras, inveja, ciúmes e falta de comunicação foi o que realmente a separou de seu grande amor. Já envelhecida, Anne desabafa seus segredos e se liberta de seus sentimentos conflitantes que ocorreram naquela ilha. Ela também descobre o que aconteceu com Westry e seu coração se conforta ao descobrir que ele sempre a amou.


O Bangalô é um livro que recomendo muito. Fiquei triste ao ler a história, por causa dos anos de separação entre Westry e Anne. Sofri pelos personagens. Gerard amou Anne e sempre deixou isso bem claro. Westry amou muuuito Anne, mas deu a ela o benefício da dúvida. Mesmo que no final tudo fique bem resolvido, há muito o que lamentar. A história é muito linda e vale mesmo a pena ser lida.

Resenha do livro O Álbum

1 de janeiro de 2016





Adam Colby é dono de uma pequena empresa que vende pertences de famílias. Ele observa nas propriedades os objetos de valor, e como um homem atencioso, Adam observou algo que para muitos passaria despercebido: um álbum.

Este álbum não continha fotos, ao invés disso havia nele cartões-postais. A curiosidade de Adam foi despertada. Ele havia se divorciado e procurava respostas sobre o que poderia ter acontecido de errado no casamento dele. Os postais despertaram em Adam a sensibilidade que ele precisava para avaliar seu antigo relacionamento. Para isso Adam também contou com a ajuda de Ivette, filha da empregada que trabalhou para o casal dos postais. Pois Ivette conhecia a história que Adam queria desvendar através dos postais.

No livro O Álbum, além da história de Adam, podemos conhecer a história de Huck e Gabe.

Huck sempre foi uma garota inteligente e destemida. Certa vez, ao conversar com um homem estranho, ela ouviu coisas sobre a vida e seu futuro, desde então, Huck imaginou que aquele estranho era seu anjo da guarda. Uma das coisas sobre as quais o homem falou foi sobre a alma gêmea. E desde então Huck decidiu procurar pela dela.

Na juventude, mesmo estando noiva de um rapaz aparentemente bem-sucedido, Huck não esqueceu das palavras do Senhor Jack, o homem que ela julgava ser seu anjo. Huck questionava sua decisão de se casar com Clark, mas apenas quando ela conheceu Gabe, foi que teve a certeza de que não estava noiva de sua alma gêmea e Huck teve a coragem de pôr um fim em seu relacionamento e se entregou ao verdadeiro amor.

Gabe era um contador honesto e dedicado. Ele se apaixonou por Huck assim que a viu. Desde então não desistiu de conquistá-la. Durante os 60 anos de seu casamento, toda sexta-feira, Gabe enviava para Huck um poema escrito em cartões-postais.

O autor descreve o relacionamento de Huck e Gabe como um amor perfeito. Muitas vezes achei que o romance deles era mera utopia, mas depois de algumas páginas e algumas experiências no casamento dos Alexander, podemos notar que havia defeito neles, mas eles se esforçavam para que os defeitos não estragassem a relação. Um fazia de tudo para agradar ao outro. Gabe sempre tratou Huck com carinho e respeito. Eles decidiram deixar o amor à frente de tudo. Tiveram seus problemas, mas souberam como resolvê-los.

A história de Huck e gabe serviu para que Adam percebesse o egoísmo que existia na relação dele com a ex-esposa. Ele sabia que nunca havia se dedicado à mulher como Gabe havia feito com Huck. A história do casal dos postais fez com que Adam percebesse que para uma relação dar certo era preciso dedicação contínua.

Amor assim não é utopia, mas é difícil encontrar um casal onde ambos se dediquem a abrir mão de suas prioridades para cuidar do outro. Quando apenas uma pessoa se esforça, a relação não progride. Quando nenhum dos dois se esforçam, a relação se desgasta mais rápido, mas quando ambos entendem suas responsabilidades para com o outro, o amor pode durar eternamente.

O Álbum é um livro que indico para casais que querem reconstruir a relação e para aqueles que querem tornar sua relação melhor.

Resenha do livro Cinco Dias


Cinco Dias, romance de estreia da autora Julie Lawson Timmer, traz uma história muito forte. Fiquei refletindo muito durante a leitura e mais ainda depois dela.

Acho que faz um pouco mais de um mês que terminei de ler este livro e sempre que paro para escrever sobre ele fico meio perdida, sem saber ao certo o que falar a respeito de uma história tão marcante.

A história gira em torno de Mara e Scott, eles não se conhecem pessoalmente, apenas fazem parte de um grupo em uma rede social. O grupo é voltado para pais adotivos, mas a identidade de cada um é preservada, eles inclusive usam nomes fictícios. Compartilho a seguir a história de Mara e a história de Scott:

Scott é diretor de uma escola. Antes disso ele foi treinador de basquete de um garoto cuja família era bem desestruturada. Bray se tornou um talento no basquete e conseguiu entrar para uma excelente faculdade. Mas poucos meses depois de entrar na faculdade, sua mãe foi presa e o irmão mais novo de Bray, um garoto de oito anos chamado Curtis, não tinha com quem ficar. A solução seria Bray largar a faculdade para tomar conta do garoto, ou arrumar um lar temporário para ele.

Ao relatar o problema ao seu antigo treinador, Scott logo se propôs a cuidar de Curtis durante um ano, que era o período em que a mãe dos garotos ficaria presa. Durante esse ano, Bray pôde estudar tranquilamente em sua faculdade e Curtis ganhou um lar bem diferente do que estava acostumado. Ele tinha um quarto decente, educação de qualidade, pais amorosos, alimentação adequada e tudo o que uma criança merece e necessita. 

O dilema de Scott foi quando esse período de um ano acabou. Ele se apegou demais ao garoto e sentia muita tristeza ao saber que Curtis voltaria a um lar completamente diferente do que ele e sua esposa havia fornecido ao garoto. Ninguém sabia ao certo como a mãe do garoto, que era viciada em drogas, voltaria. E a tristeza de Scott era ainda maior porque enquanto ele não desejava de modo algum devolver o garoto, sua esposa, Laurie, mal via a hora desse momento chegar. Não que ela não gostasse de Curtis, ele havia tratado bem o garoto durante todo aquele ano, desempenhou o papel de mãe, mas ela estava ciente que isso duraria apenas um ano e depois disso ela seguiria com outros planos. Laurie estava grávida e depois que Curtis fosse embora, ela desejava ter um descanso merecido até sua bebê nascer e depois continuar sua vida normalmente ao lado de Scott e sua própria filha. 

Scott entendia Laurie, mas ao mesmo tempo ficava magoado por ela "querer" que Curtis fosse embora. Laurie entendia Scott, mas acreditava que apesar de todos os problemas, o melhor era Curtis ficar com sua família legítima. Ela também se magoava por Scott demonstrar mais preocupação com Curtis do que com sua bebê que estava para nascer.

No final, mais um desafio aparece na vida do casal. Eu entendi a tristeza de Scott, mas não pude deixar de ficar indignada com a falta de apoio que ele deu à esposa em um momento delicado. 

A história deles é de amor e superação. Vale muito a pena conhecer.

A história de Mara é mais difícil ainda. Ela era uma advogada bem-sucedida, casada com um homem incrível, Tom, e mãe adotiva de uma garotinha chamada Lakshmi. Tudo corria bem na vida de Mara até ela começar a sofrer de esquecimentos e alterações de humor fortíssimas. Depois de um ano vivendo tentando fingir que nada de errado estava acontecendo, ela decidiu ver um médico. O choque foi quando ela descobriu que o que estava acontecendo era mais grave do que sua família imaginava: Mara foi diagnosticada com a doença de Huntington, uma doença hereditária que provoca a degeneração progressiva de células nervosas do cérebro. 

Ao estudar sobre a doença e visitar pacientes em estado terminal, Mara decidiu que não chegaria a esse estágio, ela decidiu que dali a cinco anos, se mataria. Segundo ela, não era justo submeter a família ao sofrimento causado pelas consequências da doença. Mara não queria ser um fardo.

A história de Mara nos faz refletir muito. Eu não acho que ela foi egoísta, simplesmente algumas pessoas não conseguem lidar com o fato de sentir seu corpo ir morrendo aos poucos até chegar a um estado vegetativo. Durante muito tempo Mara refletiu se conseguiria lidar com tudo aquilo, mas experiências constrangedoras como fazer xixi nas calças em pleno supermercado e andar se desequilibrando aparentando estar como uma bêbada fez com que Mara achasse que seguir com seu plano fosse o melhor a fazer.

Nos últimos cinco dias Mara planejou minuciosamente o que faria para morrer. Não permitiu que ninguém desconfiasse. Ela se aproximou mais de seu esposo e sua filha, o que fez com que várias vezes pensasse em desistir. Na verdade, apesar de planejar tudo, Mara ainda estava indecisa em seguir adiante. Tom a amava muito e cuidava dela com todo amor e carinho. Sempre a apoiou. Foi um marido exemplar.

Diante de sentimentos perplexos, o dia se aproxima. Será que Mara terá coragem de fazer o que planejou?

Recomendo muito esse livro. Vale a pena refletir sobre os conflitos presentes na história. Com certeza refletiremos também sobre nossas vidas e ficaremos desejosos de fazer os ajustes necessários.