Resenha sobre o livro O Sal das Lágrimas

23 de fevereiro de 2019

O Sal das Lágrimas é um daqueles livros que quando você acaba a leitura e o fecha, deseja ficar um pouco mais com ele. Os personagens não vão embora facilmente, pois cada um ficou gravado no coração de alguma forma.

A história é comovente. Não tem como ser diferente quando se trata de um livro ambientado na Segunda Guerra. As perdas, as dificuldades, as mortes, as atrocidades cometidas durante esse período são de cortar o coração.

Esse foi o meu primeiro contato com um livro da autora Ruta Sepetys, mas a autora tem outro livro publicado no Brasil: Cinzas na Neve, que inclusive foi adaptado para o cinema em 2018. O livro foi originalmente publicado em 2011 pela editora Arqueiro, com o título de A vida em tons de cinza. 

O livro O Sal das Lágrimas conta a história de quatro jovens. Cada um vindo de um país, sendo refugiados. Cada um com uma história comovente que vai se revelando aos poucos. 

Joana nasceu na Lituânia. É uma jovem que durante a guerra vinha prestando serviços de enfermagem. Quando a história começa, ela está em companhia de um grupo, que, assim como ela, busca por sobrevivência caminhando rumo ao porto onde o navio alemão Wilhelm Gustloff estava ancorado e iria transportar civis e militares para lugares mais seguros.

Na sinopse do livro lemos que o "navio Wilhelm Gustloff foi afundado pelos russos no início de 1945, tirando a vida de mais de 9 mil refugiados civis, entre eles milhares de crianças. O pior desastre marítimo da história, com seis vezes mais mortos que o Titanic."

Nessa jornada, Joana encontra um menino, Klaus, que dizia que sua avó não havia acordado, e por isso ele se juntou ao grupo enquanto o mesmo passava por onde ele estava. Junto com Joana também havia um senhor que era sapateiro. Ele dizia coisas bonitas, apesar do cenário triste, e por isso foi apelidado de O poeta dos calçados. Havia também Eva, uma mulher de um porte físico enorme. Seu apelido era Eva Desculpe, porque ela dizia verdades duras e cruas, e depois acrescentava: "desculpe". Ingrid era uma jovem cega, auxiliou muito o grupo com sua audição apurada. 

Joana era a mais querida desse grupo, pois ela auxiliava a todos.

Emilia nasceu na Polônia. Era uma menina de 15 anos que passou por um trauma terrível. Uma personagem que tinha tudo para ser frágil, mas demonstrou uma grande força e lealdade imaculada. Ela foi um grande exemplo de ser humano nessa história.

Florian nasceu na Prússia. Apesar de ter idade para estar na guerra, ele havia se desviado para cumprir uma outra missão. Como estava ferido, conseguia usar isso como desculpa para não ser imediatamente levado ao front. No início da história, ele não queria se apegar a ninguém. Estava determinado em seu objetivo. No entanto, à medida que se distanciar do grupo de Joana não foi mais uma opção, Florian vai aos poucos revelando o seu verdadeiro caráter. É um personagem apaixonante. 

Alfred nasceu na Alemanha. É um jovem marinheiro obcecado pelo seu dever. Tem mania de grandeza e delirava muitas vezes. Sua mente estava um pouco afetada com a pressão de tudo aquilo. Mas, de alguma forma, ele teve serventia. 

Apesar do livro ser uma ficção, as histórias de cada personagem trazem muitas verdades. Impossível não se emocionar. Mas, se você está com receio de ler por ser uma história sobre a guerra, aviso que o livro não é inteiramente triste. Há momentos de amor, de amizade, de solidariedade que vale a pena conhecer. Por isso recomendo muito a leitura desse livro.

O Sal das Lágrimas foi publicado em fevereiro de 2019 pela editora Arqueiro. Você pode comprá-lo neste link

Conheça também: Toda luz que não podemos ver.

0 comentários:

Postar um comentário